Pouco antes do Lockdown

Quando voltei de Washington DC em janeiro passado, depois de uma semana maravilhosa em que estreei a Abertura para o Ciclo de quarteto de cordas dedicado a Virgem Maria, além do filme Human Life na March for Life EXPO, aterrizei em uma Itália onde começavam os primeiros rumores da crise do “Corona virus” e ninguém esperava a situação em que estamos vivendo agora. 

    O período em Washington foi realmente incrível! Conheci pessoas fascinantes e pude ver ao vivo o primeiro presidente americano falando abertamente a favor dos nascituros. Também pude reencontrar Tonio Tavares de Mello, que me convidou para o aniversário de 30 anos de Comunidade Jesus Menino, que seria realizado no dia 15 de março, em Petrópolis, Rio de Janeiro. Conheci também Marcela Errecalde, uma brasileira-argentina, profundamente envolvida no movimento Pró-Vida latino-americano; os rapazes da Faro Films, uma produtora independente que realizou vídeos de altíssima qualidade retratando as campanhas a favor da vida na Argentina. Todos eles estavam presentes na sessão de Human Life em Washington e ainda trouxeram outros dois compatriotas: o deputado Nicholas Maryoraz e o Edoardo Armas, dois advogados seriamente envolvidos na proteção da vida na Argentina. 

    Já na Itália, no início de fevereiro, contactei a Dra. Ângela Gandra, secretária do Ministério da Família no Brasil, a quem conheci em Verona durante o Congresso Mundial das Famílias em 2018, para perguntar sobre uma possível exibição do filme Human Life em Brasília. Duas semanas depois, ao ver um post na página de Faro Films sobre uma Missa que seria realizada no dia 8 de março na esplêndida Basílica de Luján (90 minutos distante de Buenos Aires), escrevi imediatamente a Marcela Errecalde, perguntando se poderia organizar uma sessão de Human Life no mesmo dia - seria uma ótima oportunidade para promover o filme envolvido em orações pela vida em torno da Eucaristia. 

    Pra encurtar a história: em apenas 3 dias, organizou-se uma exibição de Human Life no dia 4 de março no Congresso Nacional de Brasília, e uma turnê argentina que passaria por Buenos Aires, Rosario, San Juan e Tucumán entre os dias 6 e 12 de março. Fiz o impossível para arrumar um substituto para minhas aulas de violão e os ensaios do Coral de Igreja onde trabalho como diretor em Bolzano, onde vivo, e voei para o Brasil no dia 3 de março, uma semana antes do anunciado Lockdown na Itália. Durante meu vôo muitas pessoas já usavam as máscaras de proteção, ainda que não houvessem indícios de que em breve estaríamos em quarentena.

    Após a exibição do filme no Congresso Nacional, participei de uma mesa-redonda com o co-diretor Luiz Henrique Marques, o deputado paraguaio Raul Latorre, os deputados brasileiros Diego Garcia e Leda Sadala e a Dra. Ângela Gandra. Naquela ocasião eles publicaram o projeto de uma Frente Parlamentar latino-americana pela Defesa da Vida, um grande passo na defesa dos nascituros e das vidas frágeis neste continente. 

    No dia 6 de março eu já estava em Buenos Aires para começar a Tour argentina e tivemos uma fantástica coletiva de imprensa depois da primeira exibição do filme, seguida de duas outras sessões ainda naquela noite em uma escola católica no centro de Buenos Aires. No dia 8 de março, segui para Luján e presenciei uma grande multidão na frente da Basílica daquela cidade, rezando pela proteção dos nascituros. Depois da missa fomos convidados por uma família que prepara um delicioso churrasco para muitos dos peregrinos que foram a Luján naquele dia.

    Na segunda, dia 10 de março, foi a vez da cidade de Rosario receber o filme em uma sessão organizada pelo deputado Nicholas Mayoraz, que premiou o filme com um documento oficial da Câmara de Deputados de Santa Fé, reconhecendo sua importância na defesa da vida. Depois daquela sessão viajei de ônibus durante a noite para Buenos Aires, onde peguei um vôo para Mendoza, onde encontrei Leonardo Pantano, coordenador do Movimento Ola Celeste naquela região. Em uma viagem de duas horas, ele me levou até San Juan, onde apresentamos o filme à noite, já com as notícias de que a Itália havia anunciado um Lockdown em todo o país. Antes que começássemos a sessão em San Juan confirmei um pedido de uma sessão extra em Buenos Aires organizada pelo padre José Maria Klappenbach, que havia conhecido em Luján. Por isso acabei adiando meu vôo para o Brasil, ainda na esperança de ir até o aniversário da Comunidade Jesus Menino no dia 15 de março. Durante a mesma sessão em San Juan, a produção teve que explicar às autoridades sobre minha presença naquele evento já que descobriram que eu vivia na Itália. A Argentina estava em vias de obrigar os recém-chegados da Europa a uma quarentena de 15 dias. Eles acabaram autorizando o prosseguimento da exibição e ao final dois padres cantaram uma Salve Regina. Um momento inesquecível em minha vida. 

    A próxima parada para o filme foi Tucumán, onde 300 pessoas encheram o Cinema Dom Bosco em uma noite quentíssima de mais de 30 graus. Naquela noite recebi das mãos do deputado Raul Albarracin uma homenagem pelo serviço prestado à defesa da vida. Também recebi um poncho formidável das mãos do Padre Marcelo Barrionovio, um simpaticíssimo e incansável sacerdote. No dia seguinte finalizamos a Tour com uma sessão para 50 pessoas na Universidade Austral já envolvidos pela possibilidade de um Lockdown que viria a se confirmar também naquele país. Voltando ao Brasil, recebi a notícia que o Aniversário da Comunidade Jesus Menino tinha sido cancelado. Então voltei a Itália no dia 16 de março, depois de desistir de meu vôo original que teria conexões na Alemanha e Áustria, em um vôo quase vazio da Alitalia de São Paulo e Roma. Cheguei no Fiumicino, aeroporto internacional de Roma, completamente vazio, pegando um táxi até a estação de trem Termini, numa corrida que durou apenas 20 minutos (em dias de trânsito normal pode levar até uma hora), com o taxista dizendo que iria para a casa pois os últimos três dias tinham sido terríveis rendendo nem mesmo uma centena de euros. Cheguei a casa são e salvo, e continuo assim desde então.

    Sou grato a Deus por ter possibilitado que o filme Human Life pudesse completar sua turnê de pré-estréias a apenas alguns dias do fechamento de cinemas e outras possibilidades de eventos em todo o mundo. Marchas pela Vida foram canceladas na Argentina e na Itália, mas Deus permitiu que estivéssemos neste “País Celeste”, onde mais de 800 pessoas assistiram o filme em poucos dias. Paraguai, Chile, Peru, Guatemala, Brasil, México, Espanha e Costa Rica são alguns dos países de onde chegam pedidos para que Human Life vá até seus cinemas. Espero estar com Human Life por todos estes lugares muito em breve, quando tudo voltar ao normal, e possamos estar juntos nos cinemas em todo o mundo para celebrar a beleza da vida!

Você pode fazer com que tudo isso aconteça doando qualquer quantia pelo site https://www.gofundme.com/f/human-life-movie

Gustavo